• Be Positive!

    Este espaço tem como destinatários toda a comunidade educativa, concretamente, professores, alunos, encarregados de educação e todas as empresas que compõem o nosso tecido empresarial. Pretendemos partilhar experiências positivas centradas no tema "Cursos Profissionais de Informática", que vão desde a reflexão acerca da nossa vivência como educadores à partilha de materiais e recursos didácticos. Queremos enriquecer este espaço e enchê-lo de energia positiva, contamos para isso com o vosso testemunho e contributo.

Boas Práticas na Prática

Não fazes nada de jeitoPreparar jovens com índices de autonomia, para que exerçam a dimensão do trabalho qualificado, é um dos objectivos do ensino profissional.

Os alunos dos curso profissionais são, na sua maioria, alunos com algumas dificuldades ao nível da componente de formação científica, com baixa auto estima e com ausência de métodos de trabalho.

Promover técnicas de incentivo à auto-responsabilização e à promoção de autonomia individual e em grupo é um dos desafios a que me imponho e acredito que aquilo a que chamei de “boas práticas na prática” faz toda a diferença quando se fala de alunos de cursos profissionais.

É sabido que o perfil de aluno que integra este tipo de cursos apresenta, na maior parte das vezes, défices de atenção resultantes, entre outros, da falta de bases dos anos anteriores. Tudo isto faz com que estes alunos não se esforcem por apresentar um contributo positivo, quando esse contributo é essencialmente teórico. Por outro lado, foi com agradável surpresa que verifiquei que quando se deparam com experimentação prática, a entrega é quase total.

Este ano lecciono uma disciplina que propicia ao uso do laboratório, então sugeri que se formassem grupos e que cada grupo desenvolvesse um projecto que passa pelo reaproveitamento do material informático obsoleto existente na escola. Surpreendentemente surgiram projectos muito interessantes e uma vontade esfusiante de realização. Foi realmente muito bom olhar para estes jovens que de repente encontraram algo que os motivava e no qual se empenharam.

Acredito que o sucesso dos cursos profissionais passa por conseguirmos proporcionar situações diferenciadas, que permitam o despertar de consciências. É claro que não é fácil e estando este tipo de cursos inseridos em escolas de ensino regular, esta é uma tarefa que, pelo menos para mim, foi de difícil mudança mas temos a missão de preparar jovens que irão ingressar no mercado de trabalho, não só na sua vida activa mas também através da formação em contexto de trabalho e portanto os nossos esforços e os nossos métodos tem e devem ser direccionados para responder às necessidades e ambições destes alunos, para que estes possam sentir-se motivados ao sucesso e a uma aprendizagem ao longo da vida.

Lourdes Gomes

Deixo algumas imagens do inicio dos trabalhos de  projecto.

10 Respostas

  1. Muito boa leitura, convida à reflexão.

  2. Serão estes jovens que estarão preparados para uma inovação sustentada no domínio das suas profissões. A colega Lurdes trilha um caminho que se me afigura pedagogicamente muito promissor.

  3. És a minha heroína conseguir motivar aquele tipo de alunos é obra, pois alguns pais e alunos também só pensam no dinheiro do subsídio, claro está é à imagem dos nossos políticos.
    Estás no bom caminho!…
    Isso com jeitinho vai lá.

  4. Coragem! Uma vez mais, é pedido ao professor que vença os desafios mais difíceis que a sociedade lhe propõe. Esforço, criatividade e persistência numa guerra, por vezes perdida, mas que não recusamos.
    Continue e … boa sorte!

  5. Os alunos dos cursos profissionais têm, sem dúvida, características muito específicas e os professores a quem são atribuídas essas turmas deveriam ter um perfil bem definido.
    Há ainda muito por desbravar… É importante fazer acreditar a todos que enveredar por este tipo de percurso não deve ser sinónimo de facilitismo e, assim, criar hábitos de trabalho, autonomia e, claro, valorizar os progressos.
    No entanto, frequentemente, também existe a necessidade do reconhecimento pela comunidade escolar e pelo meio social, onde esta está inserida, da importância de formar profissionais deste nível. Falta-nos tradição…
    Não baixem os braços! É uma luta que valerá a pena, é só esperar que se desmitifique o facilitismo e que a qualidade vença.
    Continuem a travar essas batalhas e ganhem esse desafio!

  6. Quando os alunos se inscrevem num determinado curso, quer seja de via profissional ou não, já deveriam estar minimamente motivados. A maior parte das vezes essa primeira etapa nem sequer ainda aconteceu, daí sobrar para os professores que fazem de tudo para tornar as aulas o mais apelativas possível. Pelo que li e que já conheço do teu excelente trabalho, pareceu-me que as estratégias estão adequadas ao grupo, sendo essa uma forma positiva de os motivar.
    Parabéns pelo teu desempenho, continua!
    Um abraço, Margarida

  7. Antes do 25 de Abril de 1974 os cursos profissionais eram uma realidade em Portugal e formaram muita gente necessária ao desenvolvimento do país nas áreas mais técnicas. Depois da Revolução de Abril considerou-se que esses cursos eram discriminatórios, que todos os portugueses deveriam ir para o – então – Liceu, e os cursos profissionais perderam peso e quase deixaram de existir. O que todos os pais queriam era que os filhos ingressassem na Universidade – a todo o custo! – e fossem doutores, engenheiros ou arquitectos, e não canalizadores, nem electricistas, muito menos pasteleiros ou cozinheiros. Ao fim de duas décadas – e com a aposentação daqueles que trabalhavam nessas áreas técnicas, o país ficou carente de mão-de-obra e teve que importar pessoas de outros países, com todas as consequências que isso tem. Hoje em dia, voltaram os cursos profissionais mas continuam conotados com alunos medíocres – que não conseguiram entrar para a Universidade – ou com estratos sociais mais baixos. Um erro! Os cursos profissionais são aqueles que formam pessoas para a vida profissional com consequências positivas na vida pessoal dos mais jovens e das suas famílias. É urgente alterar de uma vez por todas a imagem retrógrada dos cursos profissionais. Os países do centro e do norte da Europa sempre apostaram nos cursos profissionais para os seus cidadãos e pelos vistos têm-se dado bem pois estão muitos pontos à frente dos países do sul da Europa, como Portugal.

    Alexandre Gandum
    Jornalista

  8. O futuro de grande parte dos nossos alunos deve passar pelos cursos profissionais de qualidade. O “saber fazer” foi posto de lado nas últimas décadas em detrimento do “saber” que, na maioria das vezes, não passa de simples e balofa retórica. Um curso profissional poderá ser uma ferramenta muito mais útil para o país do uma licenciatura que mais não é do que um saco cheio de teoria para um licenciado frustrado que, frequentenmente descobre, não ser aquela, afinal, a sua vocação.

  9. É um texto muito interessante que convida a uma reflexão.

  10. No meu entender, quanto à inscrição num curso profissional, devríamos ter en atenção os seguintes pontos:
    1- Os alunos e respectivos encarregados de educação estarem atenpadamente informados quanto ao currículo do curso e respectivas saídas para o mercado do trabalho ou outras formações.
    2- Criar bons critérios de selecção para os alunos que pretendem ingressar nestes cursos.
    3- Estabelecer uma relação “forte” entre a teoria e prática.
    4- Dignificar a imagem destes cursos, quer na escola quer na sociedade.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: