• Be Positive!

    Este espaço tem como destinatários toda a comunidade educativa, concretamente, professores, alunos, encarregados de educação e todas as empresas que compõem o nosso tecido empresarial. Pretendemos partilhar experiências positivas centradas no tema "Cursos Profissionais de Informática", que vão desde a reflexão acerca da nossa vivência como educadores à partilha de materiais e recursos didácticos. Queremos enriquecer este espaço e enchê-lo de energia positiva, contamos para isso com o vosso testemunho e contributo.

Cursos Profissionais

Nas escolas secundárias, principalmente as que nasceram liceus, existe o estigma dos cursos profissionais que leva à sua não-aceitação. Embora não se fale disso abertamente, percebe-se que os alunos que seguem este percurso são vistos como sendo de 2º categoria, isso é notório quando chega a altura da escolha de níveis, ninguém quer ficar com estas turmas, deixando esse “fardo” para os colegas novos.

A atitude destes professores deve-se ao perfil dos alunos que são encaminhados para estes cursos, na sua maioria, são alunos desmotivados, sem rumo, com deficit de conhecimentos adquiridos e baixos recursos económicos.

O acolhimento de alunos, com o este perfil, deve ser encarado como um desafio e não como uma tarefa condenada ao fracasso.

Todo o meu percurso profissional foi feito com este alunos, lecciono à dezasseis anos disciplinas de cursos tecnológicos e profissionais e são inúmeros os casos de sucesso que poderia relatar. É por demais evidente a evolução dos alunos ao longo de três anos, e falo de evolução pessoal e profissional. Na realidade estes cursos contribuem para o desenvolvimento humano e cognitivo dos alunos, muitos descobrem em si aptidões que desconheciam tornando-se seres mais motivados e confiantes. As aprendizagens adquiridas são reais, o aproveitamento é bom, como comprovam os bons resultados obtidos pelos alunos quando confrontados com a realidade do mercado de trabalho e a qualidade dos produtos apresentados nas provas de aptidão profissional.

É preciso mudar mentalidades, o nosso país necessita destes técnicos. Lanço por isso o desafio, o de mostrar aos professores formatados para leccionar apenas disciplinas de cursos não profissionais, que vale a pena dar um passo em frente e trabalhar com estas turmas. Que estes casos de aparente insucesso se vão revelar casos de sucesso e que eles vão poder contribuir para isso.

Aguardamos que nos contem as vossas experiencias positivas com os alunos dos cursos profissionais.

Conceição Pereira

3 Respostas

  1. Tive, na Universidade, durante três anos, a responsabilidade de ensinar e de avaliar os percursos de alunos que entraram pela via dos “Mais de 23 Anos”, sem o ensino regular completo mas com uma indomável vontade de vencer. Com passados de trabalho activo, por vezes brilhante, mas com percursos escolares truncados por falta de recursos financeiros, por adolescências atribuladas, por casamentos e filhos em idades precoces. Estigmatizados pelo insucesso escolar antecedente mas decididos a dar tudo por tudo para não falhar de novo.

    Foi uma experiência gratificante ensinar-lhes estatística e análise de dados ou, pior, pesquisa educacional. A alunos quase todos amedrontados pelo terror das matemáticas.

    Foi ainda mais gratificante avaliar os percursos pedagógicos globais desses alunos, na maioria já licenciados.

    Acredito que a vossa experiência com o Ensino Profissional seja semelhante. O sucesso chegará se aprendermos a ensinar de forma diferente alunos diferentes.

    E o sucesso dos nossos alunos é parte determinante do nosso sucesso e gratificação como docentes, não é?

    Como tal quanto maior o desafio melhor sabor tem a vitória.

  2. Grande Conceição!

    Quase me apetece dizer… estás na escola errada, mas por razões “politicas” não o devo dizer.

    Eu fui daqueles que optei por curso técnico-profissional para fazer o secundário (tinha 33 horas semanais, contra as 12 semanais dos cursos regulares da época), depois optei por Bacharelato quando ingressei no ensino superior (mais uma vez optei pelo parente pobre… sim porque só os piores alunos é que optavam por um curso desses, fino era fazer uma licenciatura).

    Como tal, percebo muito bem a que te referes… e garanto que não troco um curso profissional por um de carácter geral.

    Obrigado por também pensares assim.

  3. Na minha opinião o estigma dos cursos profissionais tem a ver com a forma como são divulgados. É frequente ouvir-se dizer que são mais fáceis quando na realidade são apenas diferentes. Diferentes porque não estamos presos a um programa que tem que ser cumprido, sob pena dos alunos não estarem preparados para os exames nacionais. Diferentes porque os alunos são avaliados por módulos e não por períodos. Diferente porque os alunos têm mais oportunidades para fazer a recuperação de aprendizagens que não adquiriram. Diferente por tantos outros motivos.
    Muitos alunos enveredam por esta via sem ter a menor noção das diferenças entre o ensino profissional e o ensino regular. Quando interrogados sobre o assunto respondem que apenas sabem que é mais fácil.
    É preciso esclarecer para acabar com este estigma pois, se pensarmos que um aluno do ensino regular poderá fazer todo o ensino secundário sem nunca ter uma disciplina de informática, facilmente concluiremos que os cursos profissionais de informática são interessantes não só para quem quer obter a carteira profissional mas também para quem quer prosseguir os estudos numa universidade.

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