• Be Positive!

    Este espaço tem como destinatários toda a comunidade educativa, concretamente, professores, alunos, encarregados de educação e todas as empresas que compõem o nosso tecido empresarial. Pretendemos partilhar experiências positivas centradas no tema "Cursos Profissionais de Informática", que vão desde a reflexão acerca da nossa vivência como educadores à partilha de materiais e recursos didácticos. Queremos enriquecer este espaço e enchê-lo de energia positiva, contamos para isso com o vosso testemunho e contributo.

Professores, mas de que tipo?

«Para ensinar há uma

formalidadezinha

a cumprir – saber.»

Eça de Queirós

 

        Em meu entender existem essencialmente dois tipos de professores, o Professor transmissor e o Professor organizador de aprendizagens. Estes dois tipos de práticas profissionais são diametralmente opostas: a primeira, mais tradicional em que o professor se limita a cumprir um programa contido num manual fornecido pela escola ou pelo poder central (Estado), mais ou menos rígido e algumas vezes desactualizado, certificando-se que os seus alunos “absorveram” toda a informação transmitida e avaliando-os perante este critério; e a segunda mais actual e provavelmente mais adequada às necessidades e ritmos da sociedade contemporânea em que a constante mudança em conjunto com a disponibilidade de grandes quantidades de informação obrigam a que os professores mais do que ensinar só por si através de um manual tenham que arranjar métodos, caminhos e técnicas para conseguirem atingir, mediante critérios de valor estabelecidos previamente, as aprendizagens a que se propuseram, tendo em conta os diferentes factores e contextos em que vai realizar a sua profissão – ensinar.

        A relação que sempre existiu entre professor e currículo tem-se centrado na execução, pois este, até há bem pouco tempo, era inteiramente concebido no nosso sistema por equipas de professores convidados para o efeito e interiorizado na programação disciplinar. Os professores teriam neste contexto de compreender e passar estes mesmos programas à prática e cumpri-los pedagogicamente da maneira mais correcta. Esta situação retrata um “Professor Transmissor”, onde existe unicamente uma relação de execução de aprendizagens, com escassa construção ou decisão e com níveis bastante pequenos e restritos de gestão.

        Mas as mudanças curriculares e organizacionais dos sistemas e das escolas exigem cada vez mais que um professor se relacione de maneira diferente com o currículo, não podendo unicamente aceitar de forma passiva o programa que outros elaboraram, mas analisando-o, decidindo e agindo em função dele e dos conhecimentos disponíveis, organizando e utilizando o seu conhecimento educativo e científico face a um determinado contexto e a um determinado grupo de alunos ainda que enquadrado nas linhas programáticas nacionais – “Professor Organizador” – ou seja, de executor passa a decisor e gestor do currículo, exercendo desta forma a sua actividade que será fazer aprender.

        Este “Professor Organizador” exerce assim no desempenho da sua função um conjunto de mediações entre as decisões nacionais e as opções do Projecto Educativo de Escola, tendo sempre em conta as características dos alunos, o contexto em que se enquadram, as metas curriculares da escola, a relação entre o aluno e os vários órgãos da escola, a relação entre a turma e os grupos de colegas, e também a relação entre ele (docente) e os outros docentes, com os seus diferentes conhecimentos e estratégias.

           O professor como organizador terá, também, que saber adequar o currículo às características psicológicas dos seus alunos, saber tratar e transmitir um determinado tema, usando estratégias, instrumentos, formas de conhecimento e muitas vezes metodologias e discursos verbais diferentes, adequados ao público em questão, seja ele grupal (turma) ou individual (aluno). Para conseguir fazer esta adequação, o “Professor Organizador” terá que se colocar muitas vezes na posição do aprendente (role-taking), compreendendo os seus mecanismos cognitivos, culturais e afectivos, arranjando estratégias que se enquadrem da melhor forma no perfil do aluno. 

A.M.Ricarte

2 Respostas

  1. É interessante pensar nas mudanças necessárias na mentalidade dos professores para poderem acompanhar as mudanças na escola. É pena é que nem sempre seja assim.

  2. Actualmente, os professores transmissores de conhecimento são escassos. Há cada vez mais a preocupação de ajustar as aprendizagens, as metodologias,… ao perfil do aluno/turma.

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